terça-feira, 6 de julho de 2010

Daqui a pouco faço o meu último tratamento de quimioterapia. Pelo menos espero que assim seja. Foram seis meses muito violentos. Que me sugaram, em momentos, tudo o que de precioso tenho dentro de mim. Tão violentos que me roubaram as forças, a energia e, às vezes, a capacidade de ver o mundo noutra cor que não a sépia. Mas foi só às vezes…

Na maior parte dos dias, tenho sempre quem puxe por mim. Quem me dê um mimo. Quem me dê um grito. Quem me diga que não há hipótese de desistir. Quem em olhe nos olhos e veja um futuro claro, limpo e cheio de emoções. Boas.

Algumas dessas pessoas trabalham no hospital onde tenho sido acompanhada. Os médicos, os assistentes, até as senhoras da secretaria. Mas os verdadeiros anjos estão na sala de tratamentos. São as enfermeiras. Que nos dão os remédios que nos vão curar. Que nos dão os rebuçados para tirarmos o amargo da boca e da alma. Que nos pedem desculpa sempre que nos picam. Que nos emprestam livros. Que sorriem sempre que lá entramos.

Não há forma de se agradecer a anjos assim.
A única coisa que posso fazer é ficar boa.

2 comentários:

  1. Ora Ora de anjos temos pouco somos mais umas diabinhas que se adoçam quando anjos delicados assim como a menina aparecem, que mulher de coragem, grande exemplo de paciência descrição e tolerância,que pena que aquele ultimo dia tenha sido tão movimentado, mas deixo aqui um beijinho. Celia.

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  2. Um grande beijinho para si, Célia. E muito obrigada por tudo. Por tudo mesmo...

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