sábado, 17 de abril de 2010

É estranho viver com um cancro. A certa altura é algo que faz permanentemente parte de nós. Não é tanto a dor física ou a ausência de saúde que me indignam. É sim o facto de ter em mim algo que não pedi, não quis e não desejei. Sequelas da vida, talvez... mas injustas numa altura em que respirar fazia de novo sentido.
Com o passar dos dias vejo que sobrevivo numa espécie de casulo. Fechada, protegida, à espera. Não sei de quê. Chegado o fim do percurso, é bem possível que ele ainda aqui esteja. E eu vou perdendo dias. Cada vez mais longe daquilo que é meu, que quero, que sou. Há momentos em que não basta encher o peito de ar e acreditar que "vai ficar tudo bem". Nunca mais vai ficar tudo bem. Houve um dia, um instante, em que tudo mudou. Para nunca mais ser igual...

2 comentários:

  1. O cancro não escolhe alturas, nem idades, nem maneiras. Ataca como um relâmpago.
    Houve (a às vezes ainda há) alturas em que penso como tu. Os dias e as oportunidades que perdi e que todos os meus amigos tiveram. A maneira como os planos que eu tinha foram adiados por tempo indeterminado, e alguns destruídos. Nessa altura só apetece chorar e ser "normal" outra vez. Odeio ter a etiqueta de "doente com cancro" colada na testa.
    Mas o certo é que temos de levantar a cabeça e, em vez de lamentar tudo o que perdemos, pensar como o ganhar no futuro. Ficamos cada dia mais fortes, porque quem vence uma batalha pela própria vida fica capaz de vencer tudo o que lhe aparece pela frente!
    Não desistas nunca :)

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  2. Não Teresa, não desisto. Mesmo que às vezes não apeteça lutar, não o posso deixar de fazer. Não seria justo para pessoas como tu :)
    E concordo contigo, depois disto, acho que vamos ser capazes de tudo no futuro. Seja lá ele quando for... Um beijinho grande. Se precisares de alguma coisa...

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