É estranho viver com um cancro. A certa altura é algo que faz permanentemente parte de nós. Não é tanto a dor física ou a ausência de saúde que me indignam. É sim o facto de ter em mim algo que não pedi, não quis e não desejei. Sequelas da vida, talvez... mas injustas numa altura em que respirar fazia de novo sentido.
Com o passar dos dias vejo que sobrevivo numa espécie de casulo. Fechada, protegida, à espera. Não sei de quê. Chegado o fim do percurso, é bem possível que ele ainda aqui esteja. E eu vou perdendo dias. Cada vez mais longe daquilo que é meu, que quero, que sou. Há momentos em que não basta encher o peito de ar e acreditar que "vai ficar tudo bem". Nunca mais vai ficar tudo bem. Houve um dia, um instante, em que tudo mudou. Para nunca mais ser igual...
sábado, 17 de abril de 2010
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O cancro não escolhe alturas, nem idades, nem maneiras. Ataca como um relâmpago.
ResponderEliminarHouve (a às vezes ainda há) alturas em que penso como tu. Os dias e as oportunidades que perdi e que todos os meus amigos tiveram. A maneira como os planos que eu tinha foram adiados por tempo indeterminado, e alguns destruídos. Nessa altura só apetece chorar e ser "normal" outra vez. Odeio ter a etiqueta de "doente com cancro" colada na testa.
Mas o certo é que temos de levantar a cabeça e, em vez de lamentar tudo o que perdemos, pensar como o ganhar no futuro. Ficamos cada dia mais fortes, porque quem vence uma batalha pela própria vida fica capaz de vencer tudo o que lhe aparece pela frente!
Não desistas nunca :)
Não Teresa, não desisto. Mesmo que às vezes não apeteça lutar, não o posso deixar de fazer. Não seria justo para pessoas como tu :)
ResponderEliminarE concordo contigo, depois disto, acho que vamos ser capazes de tudo no futuro. Seja lá ele quando for... Um beijinho grande. Se precisares de alguma coisa...